segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Planeja e faz

Nesse domingo (10), ouvi dois comentários estranhos que me moveram a postar de novo, depois de algum tempo longe do blog. O primeiro partiu de uma pessoa que gosto muito, mas que não é um bom exemplo quando se trata de dinheiro. Disse que não poderia comprar um ar-condicionado split para o quarto, que é mais eficiente e muito mais econômico que o comum e velho instalado. No entanto, segundo fontes bastante confiáveis, comprou em outubro um forno elétrico (que não precisava) por mais de R$ 3.500! Não tem dinheiro ou não se planejou? Qual a vantagem de comprar um ou outro? Do mesmo modo como não se deve comprar por impulso, também não é bom trocar prioridades de lugar.

O segundo veio do pastor de uma igreja, que afirmou que o revestimento em azulejos da piscina do clube estava ficando maravilhoso, mas em seguida pediu aos fiéis colaboração para pagar o serviço, com urgência. Ora, quando ouvi, pensei logo: se não poderia arcar com os custos, por que começaram? Tratando-se de pessoa jurídica, é importante ter dinheiro em caixa ANTES de iniciar obras. Não se conta com lucro posterior! Isso não é correto!

E como se planejar bem? Ora, ferramentas é que não faltam. A primeira tarefa é anotar todos os gastos, discriminando-os bem e separando-os entre fixos, variáveis e supérfluos. Exemplo: aluguel, condomínio e parcela do financiamento do carro são fixos, pois o valor se mantém. Já água, energia e telefone são variáveis, dependendo do consumo. E festas e presentes estão na terceira categoria.

Não importa se é numa complexa planilha do Excel ou num guardanapo. É preciso anotar tudo para poder controlar o orçamento. E existem cursos online gratuitos para ensinar a organizar os gastos. Tem na Fundação Getúlio Vargas (FGV), mas também outras instituições, inclusive bancos - o Bradesco, por exemplo, tem uma plataforma legal, mesmo para não correntistas. Também há livros, apostilas e palestras. Capacite-se, você só tem a ganhar. Corra atrás!

Com esses números em mãos, reserve o dinheiro para investir. Pode ser desde a clássica poupança aos mais sofisticados fundos multimercados: esse é o seu passaporte para os sonhos. Ninguém é responsável por realizá-los senão você mesmo! Para se sentir motivado, anote-o em algum lugar que você veja todos os dias ou até cole fotos. Ver o seu objetivo torna-o palpável e mais fácil de materializar.

Daí você vai começar a gastar. Portanto, o dinheiro que você deve ter em mente como disponível não é o crédito do banco, a ajuda dos parentes e amigos ou mesmo o próprio salário: é o saldo final entre ele e as suas contas a pagar e aplicações financeiras. Não posso citar um valor, porque depende do quanto você está comprometido atualmente, mas espera-se que esse percentual chegue a pelo menos 50% da renda. É com ele que será realizada a reforma, a troca do eletrodoméstico e ainda as saidinhas de fim de semana.

Lembre-se: se você tem alguma "compulsão", reconheça e se policie. Eu, por exemplo, compro mais livros que consigo ler. Mês passado acho que gastei mais de R$ 200 e ainda não consegui terminá-los! Isso não é bom. Se você tem um hobby, uma paixão, separe também uma grana para satisfazer o desejo, mas não ultrapasse o estipulado. Caso contrário, você pode atrapalhar outros planos!